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P/L de hoje × histórico
P/L = valor de mercado ÷ lucro dos últimos 12 meses. Um P/L de 10 quer dizer que as empresas valem 10 anos do lucro atual.
Empresas com prejuízo:
Prêmio de risco da bolsa
Earnings yield = lucro dos últimos 12 meses ÷ valor de mercado (o inverso do P/L): quanto as empresas lucram para cada R$ 100 que valem. Prêmio de risco = earnings yield − juro real da NTN-B de 10 anos: quanto a bolsa "rende" acima do título público que protege da inflação.
Médias de:
P/L mês a mês
Último dia de cada mês (o mês atual, no último pregão).
Como a conta é feitaFórmulas, premissas e fontes
P/L do índice = soma do valor de mercado das empresas do índice
÷ soma do lucro dos últimos 12 meses dessas empresas
valor de mercado = ações ON × preço da ON + ações PN × preço da PN
- Prêmio de risco = earnings yield − taxa real da NTN-B de 10 anos (o "yield gap" com juro real). É a forma mais simples de medir o prêmio que a bolsa paga acima de um título sem risco de crédito: compara o lucro de hoje por real investido com o juro real garantido pelo Tesouro. Usa a NTN-B (juro real) e não o prefixado porque o lucro das empresas cresce com a inflação — comparar com uma taxa nominal mistura inflação de um lado só (a crítica de Asness, 2003, ao "Fed Model"). É uma estimativa grosseira: o lucro é o dos últimos 12 meses, não o esperado, e a literatura usa muitos modelos diferentes para esse prêmio (Duarte e Rosa, Fed de Nova York, 2015, comparam 20). Serve para comparar o hoje com o passado, não para prever retorno. A NTN-B de 10 anos é a mesma do estudo "Até onde os juros podem cair": média das taxas de compra e venda do Tesouro Direto, interpolada para 10 anos.
- Potencial de variação = earnings yield de hoje ÷ (NTN-B 10 anos de hoje + prêmio médio do período) − 1. É quanto o preço do índice teria de mudar, com o mesmo lucro dos últimos 12 meses e o mesmo juro real de hoje, para o prêmio de risco voltar à média do período escolhido (preço = lucro ÷ earnings yield). Em pontos: o fechamento do índice na B3 no mesmo pregão × (1 + potencial). O Ibovespa sem Petrobras e Vale não tem índice oficial em pontos. É uma conta de "e se o prêmio voltasse à média", não uma previsão: na prática o lucro, o juro e o próprio prêmio mudam ao mesmo tempo.
- Earnings yield = soma do lucro dos últimos 12 meses ÷ soma do valor de mercado = 1 ÷ P/L, em %. É a mesma conta virada ao contrário (método usual para índices: somar lucros e valores, nunca tirar a média do earnings yield de cada empresa). Com as empresas com prejuízo dentro da conta, ele continua fazendo sentido mesmo quando o lucro somado fica perto de zero ou negativo — é aí que o P/L explode ou some.
- Linhas do gráfico: com um índice só ligado, as linhas tracejadas mostram a máxima, a média, a mínima e a média ± 1 desvio padrão do P/L no período escolhido (Tudo, 5 anos… ou datas de/até). Cerca de 2 em cada 3 meses costumam ficar entre −1 e +1 desvio.
- Histórico, não projetado. O lucro é o que as empresas já lucraram nos últimos 12 meses (o "P/L trailing"). As casas de análise costumam mostrar o P/L projetado, com o lucro que os analistas esperam para os próximos 12 meses; essa projeção vem de bases pagas (Bloomberg, LSEG, FactSet) e não tem série pública. Por isso os números daqui não batem com os dos relatórios — o P/L projetado costuma ficar abaixo do histórico quando se espera lucro maior.
- Lucro: lucro líquido atribuído aos acionistas controladores, do balanço consolidado (sem consolidado, o individual), somado nos últimos 12 meses (balanço anual da DFP e trimestrais do ITR). Em cada mês só entra o balanço que já tinha sido entregue à CVM — como o mercado via na época.
- Empresas com prejuízo: "fora da conta" (padrão) deixa de fora do numerador e do denominador as empresas com prejuízo nos 12 meses, para que poucos prejuízos grandes não distorçam o índice inteiro. "Dentro da conta" soma tudo: é o P/L literal, mas explode quando o lucro somado fica perto de zero (Petrobras e Vale em 2015–16, Petrobras em 2020; small caps em vários anos) e some quando a soma fica negativa.
- Quais empresas: a B3 não publica as carteiras antigas em arquivo aberto, então elas são refeitas pela regra da B3 a cada quadrimestre (janeiro, maio e setembro), olhando os 12 meses anteriores. Ibovespa: ações que somam 85% do índice de negociabilidade (que pesa número de negócios e volume), negociadas em 95% dos pregões e com preço médio de R$ 1 ou mais; quem já estava fica até 90%. Small Cap: ações que somam 99% da negociabilidade (mesmos filtros), tirando as empresas que juntas somam 85% do valor de mercado da bolsa. Empresas em recuperação judicial ficam de fora. Conferência em out/2026: a carteira refeita tem as 76 ações da carteira oficial do Ibovespa (e mais 2) e 100 das 104 do Small Cap.
- Ibovespa sem Petrobras e Vale: a mesma carteira do Ibovespa, tirando as duas. Elas pesam muito no índice e têm lucro que oscila com petróleo e minério; sem elas se vê melhor o preço do resto da bolsa.
- Quantidade de ações: do Formulário de Referência e, desde 2021, também dos ITR e DFP (CVM). Ação sem negócio no mês usa o último preço de até 3 meses antes; classe sem negócio (ex.: só a PN é negociada) usa o preço da outra. Na Gol e na Azul, a ON vale 1/35 e 1/75 da PN, como diz o estatuto. A quantidade de ações informada à CVM tem erros de digitação (números em milhares, vírgula fora do lugar); eles são corrigidos ou descartados por regras automáticas (o número volta ao do balanço anterior quando a ação "multiplica" por 10 sem o preço cair na mesma proporção, por exemplo), e valores de mercado que saltam 20 vezes ou mais de um mês para o outro são descartados.
- Conferência com outras fontes (out/2026): com a carteira e os pesos oficiais da B3, o P/L do Ibovespa calculado aqui dá 12,2, contra 12,3 do fundo BOVA11 (BlackRock); o valor de mercado das 12 maiores empresas fica a menos de 6% do levantamento da Elos Ayta. A série bate com a da Siblis Research (que também usa o lucro dos últimos 12 meses) com diferença média de 12% desde 2017; a Siblis tira ganhos e perdas contábeis grandes, por isso não tem os picos de 2016 e 2020. No Small Cap a diferença para o fundo SMAL11 é maior (12,1 contra 10,1), porque o lucro contábil das empresas menores tem mais eventos únicos.
- Cada empresa entra uma vez, pelo valor de mercado inteiro (não só pelo peso no índice). Holdings que têm ações de outra empresa do índice (ex.: Itaúsa e Itaú) entram as duas, como nos índices da B3.
- O P/L só é publicado no mês em que há lucro de 12 meses de pelo menos 80% das empresas do Ibovespa; por isso a série começa em abril de 2011 (o 1º balanço anual na base aberta da CVM é o de 2010).
- Fontes: B3 (Cotações Históricas, COTAHIST) e CVM (DFP, ITR, Formulário de Referência, Formulário Cadastral e cadastro de companhias), todos em dados abertos. Cálculo próprio.